ARGUMENTO CONTRA A EXISTÊNCIA DE VIDA INTELIGENTE NO CONE SUL

“Eu já estou contando as balas.”

Esse era o título do e-mail recebido pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (a FFLCH) no dia 04 de dezembro de 2017, em que era anunciado um atentado que aconteceria dentro de poucos dias nessa instituição com o intuito de “matar o maior número de viados, travestis, esquerdistas e feministas” que aparecessem na frente do atirador. O atentado felizmente não aconteceu, mas colidiu bruscamente com a trajetória do Coletivo Labirinto, que há poucas semanas havia se deparado com a obra do dramaturgo uruguaio Santiago Sanguinetti e encontrado nela o texto-base para o que seria o desdobramento de sua pesquisa e de sua próxima montagem - que traria coincidentemente, e de maneira crítica, um atentado planejado por quatro jovens contra uma Faculdade de Ciências Humanas.

Esse é o mote de Argumento Contra a Existência de Vida Inteligente no Cone Sul, espetáculo estreado pelo Coletivo Labirinto em janeiro de 2019 no Centro Cultural São Paulo e viabilizado pelo Prêmio Cleyde Yáconis, criado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Diferentemente do que se anunciou à FFLCH, o atentado deflagrado pelas personagens no espetáculo não visa o ataque exclusivo à diversidade e nem pretende atacar somente militantes de esquerda, mas a todes que por lá estivessem, indiscriminadamente, como um gesto de destruição certeiro a um centro estruturante de formação do pensamento acadêmico latino-americano. Em comum, ficção e realidade anunciam uma ação radical de eliminação absoluta de outres. No espetáculo, porém, a triste conclusão de que um ataque realizado nesta direção - a um centro de formação de pensamento - não deixaria dúvidas quanto à falência de uma sociedade que, sendo bombardeada cotidianamente pela publicidade e pelo modo de vida capitalista, não consegue mais pensar. Só destruir.

O debate provocado em Argumento Contra a Existência de Vida Inteligente no Cone Sul é direto e ao mesmo tempo amplo: que noção de revolução existe ainda hoje em nós, latino-americanes? Onde estão nossas referências e quão devassado está nosso imaginário? Aliás, há ainda algum imaginário a esse respeito? Ele ainda dialoga com as referências do pensamento que impulsionou jovens dos anos 70 contra as ditaduras militares na América Latina? E, no entanto, nos entendemos de fato como América Latina?

SINOPSE

Quatro amigues tentam elaborar um atentado contra uma emblemática Faculdade de Ciências Humanas. Os desencontros e a falta de sentido dessa e de tantas outras ações que daí decorrem deflagram a idiotização de nossos tempos e a necessidade de buscarmos e discutirmos algum imaginário possível sobre os ideais de revolução que permearam a América Latina nos anos 60 e 70.

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FICHA TÉCNICA

DRAMATURGIA Santiago Sanguinetti TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO Coletivo Labirinto e Marina Vieira DIREÇÃO Marina Vieira ELENCO Abel Xavier, Carol Vidotti, Emilene Gutierrez e Wallyson Mota CENOGRAFIA E FIGURINO Emilene Gutierrez, Marina Vieira e Wallyson Mota VÍDEOS, PROJEÇÕES E OPERAÇÃO Laíza Dantas IMAGENS Rafael B. Gomes SONORIZAÇÃO Gustavo Velutini ILUMINAÇÃO Paula Hemsi CENOTÉCNICA Léo Ceolin OPERAÇÃO DE LUZ Ton Ribeiro OPERAÇÃO DE SOM E VÍDEO Lana Scott ASSESSORIA DE IMPRENSA Pombo Correio PROJETO GRÁFICO Oré Design Studio - Alexandre Caetano e Júlia Gonçalves FOTOGRAFIA Filipe Celestino e Roberto Setton PRODUÇÃO "PRÊMIO CLEYDE YÁCONIS” Anayan Moretto PRODUÇÃO GERAL Carol Vidotti e Wallyson Mota REALIZAÇÃO Coletivo Labirinto

 

CLASSIFICAÇÃO 14 anos

DURAÇÃO 85 minutos

HISTÓRICO DE APRESENTAÇÕES

2020

Janeiro

Mostra Verão Sem Censura – Teatro Cacilda Becker – São Paulo/SP

2019

Janeiro | Fevereiro

Estreia e temporada CENTRO CULTURAL SÃO PAULO – São Paulo/SP

Maio | Junho

Temporada no TEATRO DE CONTÊINER MUNGUNZÁ – São Paulo/SP

Agosto

XV Festival Nacional de Teatro de Limeira/SP

Novembro

Apresentações na Fundação Cultural de Jacareí – Sala Mário Lago – Jacareí/SP

TEASER

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